169 Particular Dois
O projeto localiza-se na Rua Particular, junto à Calçada da Quintinha, em Campolide – uma zona que, no século XIX, era ocupada por várias quintas, entre elas uma do Marquês de Pombal, que deu nome à calçada.
Em 1889, os terrenos foram loteados e deram origem a três vilas operárias: Amarante, Cabaço e Maia. É na Vila Maia que se encontra o “Barracão”, uma construção erguida ilegalmente na década de 1920 por José António Francisco Penedo. Autuado em 1928, o proprietário apresentou nesse mesmo ano um pedido de legalização, descrevendo o edifício como um “barracão de alvenaria, coberto de telha de Marselha, com pavimento em terra, para recolha de materiais, ferramentas e carroças”.
A intervenção parte da pré-existência: um volume com uma única frente de 14 metros de largura, 23 metros de profundidade máxima e 267 m² de área interior. As fachadas laterais e posteriores são completamente cegas, com aberturas apenas no alçado principal voltado para a rua. Esta condição impôs um dos principais desafios do projeto — a introdução de luz e ventilação naturais no interior do edifício.
A proposta responde com a introdução de pátios e claraboias que redefinem a organização espacial dos dois pisos.
Estes dispositivos ativam novas relações entre os espaços e garantem conforto ambiental ao longo do dia.
A tipologia proposta referencia-se na casa romana com impluvium.
O pátio central estrutura a vida doméstica e funciona como mecanismo espacial que articula iluminação, ventilação e continuidade entre interior e exterior.
localização campolide, lisboa
projeto 2018
cliente privado
área 411 m2
arquitetura josé adrião – coordenação
ana grácio – chefe de projeto
gonçalo diniz, leonardo marchesi
estabilidade ncrep consultoria em reabilitação do edificado e património
especialidades daj – estudos e projetos
fotografia existente nuno almendra
fotografia obra nuno almendra e alexandre ramos














