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Escola 36

A Escola EB1 nº 36 foi projetada em 1972, a sua construção iniciada em 1974, interrompida em 1975 e retomada em 1982, tendo sido inaugurada em 1984. O projeto foi assinado pelo arquiteto Fernando Gomes da Silva, sendo no entanto o seu autor o arquiteto Raul Ceregeiro.
A Escola localiza-se nos Olivais Velho e tem dois acessos distintos – um a nascente e outro a poente. O acesso principal é a poente. O acesso a nascente é utilizado pela comunidade que vive nos bairros a nascente da escola e também para cargas e descargas. Existe ainda um terceiro acesso a norte que comunica com a casa do guarda implantada dentro do perímetro escolar.

A escola insere-se no modelo de ensino desenvolvido por Maria Montessori (1870 – 1952) – o Método Montessori é caraterizado por um ênfase na independência, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas da criança. A sua materialização arquitetónica teve como influência as experiências similares realizadas no Reino Unido e Suécia.

Considera-se que Escola EB1 nº 36 é um edifício com importância e relevo patrimonial, visto ser a expressão construtiva e formal do modelo de ensino criado Maria Montessori e principalmente porque a resposta arquitetónica é totalmente coerente com os princípios definidos por esse modelo de ensino.

O edifício é uma sucessão de espaços abertos e comunicantes desde o momento da entrada até às salas de aula. As salas de aula relacionam-se diretamente com o exterior reforçando o caráter aberto do edifício. Apesar de algumas destas condições iniciais da proposta terem sido alteradas ainda é evidente a qualidade arquitetónica conseguida pelo projeto de arquitetura.

 Na memória descritiva do projeto original é reforçada a importância da Sala Polivalente. ”O programa previa a construção de 12 unidades de aula, salão polivalente e zona administrativa e recreios exteriores. Como conceito básico e teórico pensou-se que a escola poderia ser um único espaço bem equipado aglutinador de todas as atividades e das várias idades, onde a imaginação do professor fizesse o resto. Optou-se por uma solução concentrada que permitisse uma leitura fácil dos espaços e percursos e onde o elemento central, a sala polivalente tivesse um papel preponderante.

A volumetria, resultante também do declive do terreno, baseia-se na articulação de 2 corpos de aulas, perpendiculares entre si e desnivelados um piso, envolvendo o corpo central.”

Desde a sua inauguração até à atualidade a Escola manteve as caraterísticas do projeto original

Nas zonas comunicantes entre as salas de aula e os corredores as paredes não vão até ao teto e por isso a escola era totalmente permeável ao nível de ventilação e de som. As condições criadas por esta abertura entre todos os espaços da escola, apesar de ser bastante rica espacialmente e de ser vantajosa ao nível da ventilação natural, levaram a que desde o início tenham surgido problemas em relação à acústica e ao funcionamento das aulas.

De 1972, ano em que a Escola foi projetada, aos dias de hoje, muitos foram os paradigmas que se alteraram no ensino e no edifício escolar.

Deste modo e para resolver as questões principais de deficiente funcionamento da escola na atualidade propõe-se a construção de 3 novos zonas programáticas: Ginásio, Refeitório/Cozinha, Recreio Exterior Coberto.
A construção de um novo Ginásio e Refeitório vem solucionar as questões acústicas existentes.
Procurou-se também com esta estratégia interferir o mínimo na escola existente, não a alterando nos seus pressupostos iniciais.
Os três novos corpos adossam-se ao edifício existente procurando complementá-lo com novos espaço e novas funções.

Na zona orientada a Norte do recinto escolar são propostos 3 volumes novos. O primeiro corpo, na continuidade do corpo de aulas a Nascente, alberga a nova cozinha e refeitório.
Na continuidade da Sala Polivalente, um novo outro corpo /cobertura acolhe o recreio coberto. Semienterrado e numa cota topográfica já superior surge o novo Ginásio
O edifício do Recreio Coberto, central e na continuidade da Sala Polivalente atua como rótula distribuidora dos novos corpos, podendo-se através dele aceder à Cozinha/Refeitório e Ginásio. Todos os corpos propostos, à semelhança do existente, podem também ser acedidos directamente pelo exterior, através de pátios.

Localização Calçadinha dos Olivais 36, Olivais Velho, Lisboa
Projeto 2015
Cliente CML – Câmara Municipal de Lisboa
Arquitetura José Adrião – Coordenação
Carla Gonçalves – Chefe de Projeto
Paulo Palma, Tiago Ferreira, Ricardo Aboim Inglez, João Albuquerque Matos, Ana Grácio, Tomás Forjaz, Margarida Farinha, Gonçalo Ponces
Estabilidade ARA – Alves Rodrigues Associados
Especialidades Pensamento Sustentável
Fotografia Hugo Santos Silva

38.769753,-9.106188
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